segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Morte


Tão doce é a morte que vem e te toca

Tão fria, tão calma, de lâmina afiada e presença letal...

...dá-te o seu toque, o último sentido, o último vivido e o primeiro a morrer.

Nem sente, nem vê. Mas sabe!

Foi um fim sem começo para um começo sem fim.

A dor nem tanto foi crítica, mas o arrependimento, torturante

No pensamento insano, desesperado...

...é a morte!

O total contrário desta vida, mas que te dá vida, porém eterna.

Talvez isolada, sofrida, ou mesmo calma.

Quem sabe?

Não precisa e nem adianta sentir medo, e nem ter coragem.

A inércia desta hora será grande, será infinita.

Seu fim lembrado, muitas vezes ao acaso.

Alguma lembrança sem valor - mas lembrança - deixada para trás.

Tão simples, também, é a morte por ser morte.

Por não morrer. Ao contrário da vida que sempre acaba, sempre morre

Anjos que choram



Entre quatro frias paredes

Cela solitária

Aqui apenas mais jovens corpos

Unidos não só pela dor

Mas pelo querer

Ser livre era ser morto

Viver calado Para nós não é vida

Sobrevivência para muitos

Para os fracos

Surdo pelos gritos

Um querer de respostas

Entre a dor e o sangue

Durante choques

Por toda a fase de temporal

Aqui no céu

Que chorava por seus filhos

Mortos, esquecidos, sumidos

Durante toda a minha estada no inferno

Lutei pela vida

Não apenas por ela

Eu queria poder voar

Mas queriam cortar minhas asas

Por isso esse pássaro morreu

Como muitos

Mas a liberdade brotou por nossas mãos

No escuro jardim do Brasil

Em troca de muitas vidas

Depois da chuva vermelha

Mas há ainda hoje

Os anjos que choram

Por que as marcas são profundas

E nunca serão esquecidas

Amar-te eternamente...


Prometo me apaixonar pelo mesmo homem,

Todos os dias.

Quero que os dias frios sejam calorosos,

Todos os invernos.

Quero que a chuva caia apenas para nos dois,

Todas as noites.

Prometo sorrir ate quando menos precisar,

E farei de tuas as minhas lagrimas,

No dia em que a lua não mais brilhar.

E te pertenço, assim como

as estrelas pertencem ao céu,

e as noites pertencem ao fim dos dias

E do carinho teu

Eu renascerei

todas as manhãs. . .

Românticos são poucos, são loucos desvairados...


Que querem ser o outro

Que pensam que o outro é o paraíso

Românticos são lindos e pirados

Que choram com baladas, que amama

sem vergonha e sem juízo

São tipos populares

Que vivem pelos bares

E mesmo certos vão pedir perdão

E passam a noite em claro

Conhecem o gosto raro

De amar sem medo de outra desilusão

Romântico são poucos...

São loucos como eu...

são loucos como nós...

Sou uma vampira sedutora,


que apenas quero teu amor...

Nesse lindo cangotinho,

quero depositar meu beijinho,

e escorregar até o ouvidinho...

Não quero teu sangue chupar,

quero apenas te vampirizar,

pra que nunca deixes de me amar...

Meu desejo hoje, é apenas te seduzir,

e pelos séculos que estão por vir,

oferecendo-te um adorável porvir...

Viveremos eternamente,

amando-nos ternamente...

Apenas quero te beijar com carinho...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

++Sempre a vossa espera ++

Ontem ao querer-te, já era hoje.

E no hoje que se finda, no amanhã te quero.

O desejo, esse, era deter-te, reter-te e perder-te.

Mas nunca esquecer-te.

***

Cheiro. Ao cheirar-te. Retenho-me. Num momento de sentido em absoluto. Quero cheirar-te assim no ontem, que foi e não é. Quero ser o cheiro que emanas. E ao inalar-me, ontem, e no hoje. Detectar-te ao longe bem longe, ilustrando-te lá. Numa moldura vaza. De melindrados eus meus. Vou cheirar-te no livro de anjos caídos na minha podridão. Na página única do teu toque. Vou cheirar-me a alma. Num só alento. Ter-te dentro das mãos destituídas. Para quando abri-las ver-te. No meio da cegueira que me depreda.

***



Angustia. As golfadas de ar que me assolam o peito. Desfalecem-me. Tudo silencia. No cheiro sem cheiro. Da cor da tua alma desmedida. É por isso que cega. Porque era a tua. Não a minha. E não pude cheirar-me em ti, porque não havia cheiro. Nem havia algos nas páginas compostas pelas penas dos anjos. Já não habitam (me). Nas costas vergadas pela fadiga. Foram-me arrancadas em riscos pela pena suspensa do poeta.

***





Amanheço. Coberta de ti. Em pensamento. Nas mãos trago-te sempre. Porque são o vazio da ausência nossa. Reescrevo o futuro, nos vestígios insanos. Meus. E colo de novo as penas no teu livro. Sei que já não o lês. Que não me tocas pelas manhãs em que anoiteço. Mas preciso nele escrever-me. Ser mais uma palavra no meio de tantas outras. Confundir-me e achar-me perdida. Se puderes relembra-me no meio de teus odores. Eu estou lá. Podre. Como sempre o fui. Morta. Como sempre estive. No cerco em que me nego. Estou. Agarra-me o pulso e cheira-te no odor tatuado da veia cortada por ti.

++Visão++


Estou longe… estou ausente,

Onde me encontro tudo desabou.

A escuridão venceu e a Luz apagou

A vela que ilumina o presente.

Sinto o frio na Alma descendente

A gelar o sangue que coagulou.

Num desespero o tempo parou

E pede auxilio… um auxilio premente.

Tudo está em extrema ruína,

Em acelerado estado de decomposição,

Um doce cheiro nauseabundo.

Vejo… sim, vejo uma ponte fina.

Fecho os olhos e aperto a mão,

Abro os braços e abandono este mundo